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Busca de Financiamento: Introdução 

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Resumo: Preparado por Katrinka Joffe para a International Women's Health Coalition. Oferece diretrizes gerais para a solicitação de subsídios. Inclui recomendações sobre como encontrar e pesquisar potenciais financiadores de pesquisas; sugestões básicas sobre como escrever cartas de indagação, formulários de pedidos de financiamento e propostas; e uma lista de recursos úteis (5 páginas).

Solicitar um subsídio pode parecer um processo intimidante, mas o mistério simplesmente logo desaparecerá com a familiarização com o formato geral e procedimentos. Há várias sugestões para facilitar o processo e apresentar um pedido na maioria dos casos. Muitas dessas sugestões constam do livro The Worldwide Fundraiser's Handbook 2nd edition (2003) (Manual do Angariador de Fundos em Âmbito Mundial - 2ª edição), de Michael Norton, e também pode ser encontrado em vários guias de recursos na Internet—os mais úteis são listados no fim deste documento.

As organizações de concessão de subsídios recebem inúmeras propostas e raramente respondem positivamente a todas. Uma proposta concisa com conexões claras com as organizações de financiamento e linguagem sem ambigüidades ajudam muito a sua causa. Para começar o processo, certifique-se para o que deseja receber financiamento. Os doadores geralmente têm prioridades específicas e não financiarão um projeto que esteja fora de seu enfoque. Norton sugere a preparação de um breve esboço do projeto, incluindo: questões ou problemas que se espera enfrentar, como se planeja resolver essas questões, resultado previsto e orçamento proposto. Esta breve descrição ajudará o solicitante a identificar financiadores com interesses semelhantes.

É importante pesquisar a organização doadora para saber quais são suas áreas de interesse e que passos requer para a apresentação de um pedido. A maior parte desta informação está disponível on-line, geralmente sob um subtítulo como Grantseekers (Em Busca de Subsídio) ou Grants Program (Programas de Subsídios). Pode-se encontrar a maioria das fundações em websites sob subtítulos como Funding Priorities (Financiamento de Prioridades) ou Areas of Interest (Áreas de Interesse). Outro lugar útil para procurar são as seções intituladas "Quem somos nós" e "O que fazemos", uma vez que quase todas as fundações apresentam sua declaração de missão on-line. Enviar uma proposta a uma organização que não concede financiamento na área proposta é perda de tempo e de recursos, tanto seus como delas.

O que procurar:

  • A organização de financiamento tem prioridades que se enquadram na sua área de trabalho?
  • Quais são, se houver, as limitações geográficas dos subsídios?
  • Para que fins os fundos podem ser usados? Por exemplo, algumas fundações não concederão subsídios para financiar funções ou convenções, não participam de redução da dívida e evitam organizações com enfoques religiosos ou políticos óbvios ou específicos.
  • Os subsídios podem ser concedidos diretamente  à sua organização ou é necessário um parceiro? Certas organizações às vezes só concedem financiamento a grupos sediados nos Estados Unidos, capazes de redirecionar fundos a outra área.
  • Qual é o montante médio de um subsídio? As organizações tendem a permanecer na mesma estimativa ao concederem subsídios. Quais são os montantes máximos e mínimos?
  • Qual é a duração dos subsídios?
  • Quantas vezes se pode enviar um pedido?
  • Qual é o tempo de envio de pedidos? Há um prazo definitivo?
  • Que tipo de requisitos devem ser atendidos durante o processo de apresentação do pedido? Uma carta de indagação é suficiente para iniciar um pedido ou é preciso enviar uma proposta completa?
  • Quem se deve contatar e como?

Uma vez decidido dirigir-se ao doador, assegure-se de fazê-lo devidamente, seguindo as instruções dele. Algumas organizações proporcionam um formulário a ser preenchido on-line ou um endereço de e-mail e muitos pedem uma Carta de Indagação (LOI - sigla em inglês de Letter of Inquiry) que oferece certos detalhes específicos sobre o seu pedido.  Essa informação é geralmente encontrada na seção intitulada Contact Us (Contate-nos) e inclui endereço, numero de telefone e e-mail. Se você decidir enviar por e-mail, lembre-se de que poderá ser incluído como registro ou arquivo permanentes dessa fundação, devendo, portanto, usar formato e tom profissionais, mesmo no caso de perguntas rápidas. A maioria dos guias de recursos sobre financiamento ressaltam a importância de encontrar a pessoa de contato certa, uma vez que poderá permitir uma relação útil a ser formada entre quem procura o subsídio e a entidade que o concede. No caso de organizações de base menores, nem mesmo uma pesquisa cuidadosa e o seguimento das diretrizes podem garantir o sucesso. As relações pessoais e a criação redes são elementos críticos para uma angariação de fundos bem-sucedida. Mesmo se o seu pedido for negado, ter um contato poderá levar à informação sobre futuros subsídios ou até mesmo possibilidades em outra fundação. Para cultivar essas relações, alguns recomendam conseguir uma reunião com um doador potencial antes de apresentar uma recomendação formal, mas não convém insistir se a idéia da reunião não for bem recebida pelo outro lado.

Apesar da importância de adaptar cada proposta a uma organização específica e descobrir as conexões pessoais em uma fundação, o processo de angariação de fundos na realidade compõe-se de vários elementos comuns. Uma vez reunidos os materiais para um pedido de subsídio, pode-se perceber que os mesmos materiais são convenientemente requeridos para quase todos pedidos de subsídio. De fato, muitas fundações e organizações de concessão de subsídios aceitam o Common Grant Application (Pedido Comum de Subsídio, disponível on-line em http://www.nng.org/resources/cga.htm). O uso desse pedido comum lhe permitirá simplesmente fazer várias cópias do mesmo pedido em vez de preparar individualmente cada um. Entretanto, os pedidos de maior sucesso são geralmente os personalizados de certa forma e se sobressaem para a pessoa ou pessoas que o examinam. Portanto, a tarefa é facilitada pela semelhança de materiais, mas nada substitui um pedido que pode "vender" um projeto a uma determinada organização.

Ao personalizar um pedido, cumpre levar em conta quem se planeja abordar, quais são as prioridades e enfoques do doador, como deve ser contatado, o procedimento utilizado pelo doador para avaliar os pedidos de subsídio e como o seu projeto será apresentado. Figuram, a seguir, alguns pontos a serem levados em consideração na preparação de sua abordagem:

  • Formulários de apresentação de pedido: Assegure-se de seguir cuidadosamente as diretrizes do pedido em todos os detalhes. Seria uma pena ver o seu pedido descartado por causa de uma tecnicalidade, como, por exemplo, ausência de cópia da declaração de imposto de renda ou encadernação elegante. Uma nota sobre este último aspecto: muitas organizações não gostam de encadernações ou pastas especiais porque dificultam a fotocópia e distribuição do material da proposta e também porque pode sugerir o desperdício de recursos. A única exceção são as auditorias encadernadas, que devem ser deixadas na respectiva pasta.
  • O tamanho do doador e o processo de seleção: As grandes fundações e/ou programas públicos geralmente esperam mais detalhes, ao passo que os doadores menores dispõem de menos pessoal para avaliar pedidos e preferem abordagens mais enxutas. Se possível, procure conhecer seu público. Algumas fundações têm pessoal profissional que examinará o seu pedido e apresentará um resumo e/ou recomendação aos fiduciários ou membros da diretoria. As fundações menores às vezes enviam cópias da proposta diretamente aos fiduciários ou membros da diretoria para consideração.
  • Quantos doadores se devem abordar: Norton diz que os doadores estão freqüentemente interessados em saber quantas organizações foram abordadas e se outras concordaram em conceder financiamento. Deve-se fazer uma seleção cuidadosa e evitar uma abordagem de escopo demasiadamente amplo para convencer doadores potenciais a respeito da seriedade de seu pedido. Entretanto, nunca conte com um determinado subsídio e dirija-se a vários doadores a fim de aumentar a probabilidade de financiamento. 
  • Carta de introdução: Uma carta de introdução é uma forma fácil de personalizar um pedido de subsídio e pode ser anexada a seu arquivo básico do pedido. Faça referência a contatos e apoio anteriores, assegure-se de vincular sua proposta aos interesses específicos do doador e incorpore exemplos para tornar o pedido mais específico.
  • Orçamento: No mundo dos subsídios e angariação de fundos, não é de surpreender que a palavra final seja o dinheiro. Independentemente de você estar procurando financiamento, serviços ou materiais, há um custo monetário associado a cada pedido. Embora o dinheiro possa ser assunto estranho, não se esqueça de que para oferecer apoio as fundações realmente precisam saber o montante requerido pelo projeto. Alguns doadores relatam histórias de propostas escritas com tal "delicadeza" que o pedido de um montante específico nunca foi feito! Outros observam que somente tomam conhecimento da importância requerida na última página, obrigando o leitor a adivinhar o tamanho e a escala do pedido durante a leitura. Não precisa estar na primeira sentença, mas a questão do dinheiro precisa ser abordada de forma honesta e direta em benefício próprio e dos doadores.  Examine os limites do financiamento e o que os doadores não financiarão - a maioria das fundações não financia organizações com fins lucrativos ou grupos com metas religiosas ou políticas óbvias e, na maioria dos casos, não concede subsídio a funções, convenções ou redução da dívida.

A proposta deve responder a algumas perguntas básicas para a organização e com toda probabilidade é a única oportunidade que você terá para apresentar seu caso. A maioria das diretorias ou painéis que tomam a decisão final a respeito de propostas somente se reunirá com o solicitante depois de decidir dar seu apoio. Figuram, a seguir algumas questões de fato que, na opinião de Norton e de outros, deveriam ser abordadas em alguma parte da proposta.

  • Qual é a questão ou necessidade a serem abordadas?
  • Que fatores específicos tornam importante abordar esta questão na área em que será realizado o projeto?
  • Quais são as metas de curto e longo prazo deste projeto?
  • Que é o seu prazo?
  • Que processo será utilizado para atender a essas metas?
  • Quais são os resultados previstos do projeto?
  • Qual é o orçamento previsto? Quais são seus planos para desenvolver fontes alternativas de financiamento no futuro?
  • Trata-se de um único pedido ou o seu projeto é de realização contínua?
  • Que fontes de financiamento já foram identificadas? O que já foi destinado ao projeto?
  • O doador será reconhecido pela contribuição e, em caso afirmativo, como? Por exemplo, um artigo seria publicado em um jornal local ou poderiam ser organizados uma simples cerimônia de agradecimento e um aperto de mãos.
  • Por que a necessidade é importante e urgente e o que acontecerá se não se fizer nada? Relatos populares e exemplos específicos terão muito mais efeito do que uma simples listagem de cifras.
  • Por que a sua organização é a certa para fazer alguma coisa?
  • Por que seu plano é o mais conveniente e o mais custo-eficiente?
  • Por que seu projeto tem probabilidade de ter êxito? Aqui seria um bom lugar para destacar sucessos e indicar aptidões.
  • O subsídio poderia ajudar realizações além do montante real concedido?  Por exemplo, seria possível mobilizar subsídios de outras organizações como resultado do primeiro subsídio ou este subsídio ajudaria a motivar voluntários?

Em termos da redação: Use linguagem concisa e não deixe a proposta estender-se demais. Várias organizações doadoras já indicaram que a leitura de propostas pode ser enfadonha e recomendam redigir a proposta de forma dinâmica e vivaz, evitando uma linguagem desmotivada e seguindo um formato. Assegure-se de demonstrar a eficácia de sua organização comprovando suas afirmações mediante fatos e cifras ou até mesmo estudos de caso e exemplos específicos sobre a situação das pessoas. Evite sentenças longas, parágrafos longos, o uso de chavões e repetição. Muitos que trabalham no campo da angariação de fundos sugerem que uma outra pessoa leia a sua proposta, de preferência alguém alheio à organização. Se algo não lhes parecer claro, poderá também não ser claro para a organização que ler a sua proposta. Para reforçar a sua proposta você poderia incluir cartas de agradecimento do grupo-alvo, de membros ou clientes, juntamente com cartas de apoio de outras entidades, se requeridas. A inclusão de recortes de jornal sobre o seu trabalho anterior ou atitudes positivas da comunidade com relação à sua organização poderia mostrar sucessos. Finalmente, listar apoio anteriormente recebido de outros doadores oferece tranqüilidade.

Os doadores procuram responder de forma oportuna, mas não podem responder tão rapidamente quanto você gostaria. O tempo de resposta geralmente vai de quatro a seis semanas, mas pode ser mais longo ou mais curto dependendo do cronograma do exercício financeiro. Alguns subsídios são concedidos de forma rotativa, outros somente em um trimestre específico do ano. Dependendo do tamanho da fundação, duas ou mais pessoas podem estar encarregadas da aprovação de sua proposta ou pode haver uma diretoria que deve reunir-se para discutir todos os subsídios e somente pode reunir-se alguns poucos meses.

Recursos úteis

 
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